quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Reconciliação


No tumulto dos anjos
abre-se no corpo o pavor sangrento.
Raízes afogadas pedem o esquecimento
como quem pede o amor.
Raios límpidos alagam a terra
abandonando a cinza desprendida,
E na reconciliação das vozes flamejantes
a noite terrível respirava o silêncio
nesse tempo em que Deus abraçava a água.

Curso de escrita criativa- exercicio de catching- Inês Fontoura

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sinto-me sempre flutuante com Sigur Rós

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008




Em nome dos que choram,
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
De amor e paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destrói
E devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!

José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Hoje foi um dia incrivel, senti que os meus maiores amigos estiveram presentes. Quer fisicamente, quer pela força da palavra. É indiscritivel a sensação de estar no fundo e ver os braços daqueles que amo ali, tão proximos. Não há nada no mundo que neste momento dê tantas graças como tê-los na minha vida.

Obrigada ( Juca, Sara, Pi, Rita e Esquerda)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008




"O Natal é o tempo em que ficamos grávidos de deus!"


Professor josé Rui Teixeira

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O medo que me corroi



AndCor do textoam a corroer-me os dias, a assombrar-me. Como se também o medo me carcomesse. Do mesmo modo dos caminhos mas sem a restituição da carne nova. Não faltará muito para que minha carne fique desnudada, sarando-se com a carne nova. Não faltará muito para um novo caminho. Sete meses, e três anos se completam. Vou partir para o deserto e anseio muito cultivar. Anseio muito envolver as mãos na terra seca. Anseio muito caminhar com um canto nos lábios e uma estrela na fronte, com cristo no rosto. Não, não é a aridez do deserto que me assombra. O medo que me carcome não pertence ao desconhecido, o medo que me carcome pertence à inevitável e futura ausencia daqueles que me eram intrínsecos. Não são as paredes, são os rostos, e os abraços, e as palavras.
Nestes três anos quase completos voei como nunca antes, o sabor das amoras, a alegria do mundo. Salvaram-me alguns abraços, e dei a salvação a muitos dos que me abraçaram. Nestes três anos aprendi a COMUNHÃO. É incomensurável tudo o que já me entregaram, as mãos que já me estenderam, as vezes que já me embalaram. E há pessoas que aprendi a serem minhas. Que amo tanto, que mesmo vivendo no desassombro, a inevitabilidade da sua perda me corroi. Me esgravata o corpo impetuosamente .
Por estes dias fecho os olhos e desejo fervosamente Sião. O lugar onde somarei todas as carnes carcomidas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Exilada


"Exiliada?
Exiliada sea aquella que algún día tuvo tierra.
No tú
que no tienes ni rastro de polvo en tu memória
aniquilada."

"Exilada?
Exilada seja aquela que algum dia teve terra.
Não tu
que não tens nem rasto de pó na tua memória
aniquilada."

Miriam Reyes em Terra e Sangue (tradução- Jorge Melícias)