sábado, 28 de junho de 2008

Milagres

Por estes dias completam-se amizades, renovam-se ciclos, perpetuam-se caminhos pegadas. Por estes dias festejamos a bênção da vida, o milagre, os milagres, que nos tornam naquilo que somos, e são muitos eles. Vão-se enraizando sorrateiramente em nossas entranhas, cravando histórias e memórias, ate que nos pertencem. Pertencem-nos livremente falando. Pertencem-nos porque nos socorre a voz da sua experiencia ainda que em pequenos silêncios, pertencem-nos porque sentimos a firmeza das suas mãos em momentos de aflição sem que a rigidez nos congele os sentidos, pertencem-nos porque nos amam.

A todos aqueles que me pertece e a quem eu pertenço, que me são intrínsecos.

domingo, 22 de junho de 2008

Nada temo porque Deus está comigo



“Se me envolve a noite escura
E caminho sobre abismos de amargura,
Nada temo porque a Luz está comigo.

Se me colhe a tempestade
E Jesus vai dormir n minha barca,
Nada temo porque a Paz está comigo.

Se me perco no deserto
E de sede me consumo e desfaleço,
Nada temo porque a Fonte está comigo.

Se os descrentes me insultarem
E se os ímpios mortalmente me odiarem,
Nada temo porque a Vida está comigo.

Se os amigos me deixarem
Em caminhos de miséria e orfandade,
Nada temo porque o Pai está comigo.

Se me envolve a noite escura
E caminho sobre abismos de amargura,
Nada temo porque a Luz está comigo.”


Minha querida Inês

Finalmente tempo! Queria pedir desculpa à minha querida Inês Viterbo por uma resposta tão tardia mas que ainda assim não vem tarde, aliás é sempre tempo de discutir ideias. A história do copianso e das queixinhas parece me absolutamente ultrapassada, a justiça, essa jamais se ultrapassa. E é exactamente sobre essa justiça que em nada é ultrapassável que te quero falar hoje. Concordo contigo Inês, a “justiça ajusta”, mas a justiça não SE ajusta a qualquer coisinha. Existem princípios e critérios que ela segue, pelo menos na minha perspectiva, ela ajusta-se à ética e à verdade ou não é assim? E mais a justiça não é comparativa, nunca foi. E não é comparativa pela simples razão de que não há duas situações iguais, não há dois alunos iguais, ou dois criminosos. Mais, muitas vezes aquilo que julgamos que aproxima as situações distancia-as. Percebo que o sistema em que vivemos pelo menos nas escolas se faça assim (não concordo mas percebo), por comparações sucessivas, e sinceramente talvez seja por isso que as injustiças apareçam tantas e tantas vezes. Se olhássemos a justiça como algo que se encontra já definido( não estanque, inalterável mas definido), que tem os seus princípios (princípios éticos e morais) aos quais se ajusta, se conseguíssemos olhá-la como algo modelador e não como algo modelavel, talvez as coisas fossem diferentes. A nossa tendência é precisamente a inversa, é modifica-la ao sabor das nossas necessidades. O facto de inflacionarmos as notas para que tudo se torne mais justo é por si só uma injustiça. Primeiro porque não somos os únicos alunos do país, não somos os únicos que precisamos de médias para entrar na faculdade, neste caso alguém sai prejudicado, se não formos nós serão todos os outros alunos portugueses. E em segundo lugar porque distorcemos completamente o valor da justiça. Se nos parece injusto que um professor suba a nota a um aluno como podemos concordar que nos suba a nós também? É a lógica de ele pode roubar desde de que eu também possa? Contentamo-nos com tão pouco assim? Permitimos que alguém seja sobrevalorizado na condição de que nós mesmos também sejamos? Incongruente. Se a justiça me diz que é errado subir notas, não posso pensar que é mais correcto só porque me sobe a mim. Temos ainda o problema das comparações, as minhas características são absolutamente diferentes das do outro aluno, e provavelmente, nem sequer temos atitudes comparáveis, sim porque nem tudo na vida tem de ser comparável. Dois assassinos nunca são julgados por comparação entre eles, mas sim pela gravidade do seu acto ao abrigo de uma lei já em vigor. Entendes?
Crescemos muito nas nossas ideias não foram Inês? E ainda bem que não concordamos em tudo, é sempre um prazer discutir ideias com alguém que me acrescenta tanto como tu.

Beijinhos

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Fazer justiça com injustiça

Presenciei hoje, e com muita pena minha, um espectáculo verdadeiramente deprimente de mesquinhez e egoísmo puro seguido de uma verdadeira lavagem de roupa suja em praça pública. Pessoalmente nunca me incomodaram os copianços, nunca me incomodou minimamente que houvesse quem fosse sobrevalorizado quando o mesmo não se verificava em relação a mim, desde que, eu própria não fosse subvalorizada. O meu valor é o meu valor, e acima de tudo, acredito ainda que não chegarei mais longe, nem me sentirei mais realizada com sobrevalorizações, mesmo que por vezes elas possam ser-me feitas. O facto é que se estudo é porque pretendo adquirir as competências que me são necessárias para o futuro com que sonho, sejam estas de que ordem forem, e não necessariamente decorar meia dúzia de inutilidades que não me servirão de nada.
O que se passou foi que, após um teste sem qualquer tipo de valor (havia a possibilidade de nem sequer contar para a nota final) e sentindo-se comichentos pelo azar de não poder copiar aquilo que desejavam, dois colegas meus decidiram, passar por cima da professora da disciplina em questão, e baseando-se em boatos absolutamente infundados, dirigiram-se à nossa directora de turma para fazer queixinhas, pela injustiça que tinham sofrido, já que segundo o que alguém lhes tinha dito, uma suposta colega copiara descaradamente e à frente da professora (colega que por acaso se esforçara imenso para poder tirar a positiva de que precisava para concluir a disciplina, e que o conseguira no teste anterior). O que verdadeiramente este meninos reclamavam é que se a nota dela fosse positiva então também eles deveriam ter uma classificação mais elevada.
A turma indignou-se com a atitude destes meninos, e quando estes chegaram a sala, seguiu-se uma autêntica lavagem de roupa suja (sim porque os tais eram na verdade os reis do copianço, e por acaso ate tinham copiado no dito teste). Acusações pelo ar, berros e amuos. E a pobre rapariga, foi obrigada, para que não houvesse mais confusão e para calar bocas alheias a fazer outro teste, isto é, atribui-se importância a uma atitude deprimente de pisar os próprios colegas para subir, e submete-se alguém que por acaso foi apontada no meio de tantos outros, ao constrangimento de mais 90 minutos de pressão.
A atitude daqueles miúdos, nem vou comentar, e muito menos a lavagem de roupa suja. Agora, o que verdadeiramente me incomoda é o conceito de justiça, ou seja lá o que for, que surge na cabecinha de tanta gente. Quando reclamamos a justiça exigindo um inflacionar de notas, perdemos nós próprios a noção da justiça defendemos, isto porque não se resolve uma injustiça com outra injustiça. Ou seja, se eu reclamo que uma nota é mais alta do que na verdade merece ser, não posso de modo algum exigir que também a minha seja mais alta do que eu mereço na realidade. Aquilo que se pretende é que as pessoas desejem é aquilo que de facto merecem, nem mais nem menos. Isto sim é justiça. E fazer algo que não isto é ridicularizar a justiça, e mais ridicularizar o nosso trabalho e nós mesmos.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Quando (já nada é intacto)

"Quando já nada é intacto
Quando tudo na vida vem em pedaços e por dentro me rebenta um mar
Quando a cidade alucina num lugar de néon e de neblina e me esqueço de sonhar
Quando há qualquer coisa que sufoca e os dias são iguais a outros dias, e por dentro o tempo é tão voraz
Quando de repente num segundo qualquer coisa me vira do avesso e desfaz do cada certeza do meu mundo
Quando o sopro de uma jura faz balançar os dias
Quando os sonhos contaminam os medos e os cansaços
Quando ainda me desarmam a tua companhia e tudo que a vida faz em mim
Quando o dia recomeça e a noite ainda te prende nos céus braços e por dentro te rebenta um mar
Quando a cidade te esconde e o silêncio é o fundo das palavras que te esqueces de gritar
Quando o sopro de uma jura faz balançar os dias
Quando os sonhos contaminam os medos e os cansaços
Quando ainda me desarmam a tua companhia e tudo o que a vida faz em mim"

Mafalda Veiga

domingo, 27 de abril de 2008

25 de Abril, a possibilidade de dizer BASTA


No dia 25 de Abril de 1974, ganhamos nós, portugueses, a liberdade e a vontade honesta de querer ganhar e gritar dos nossos sonhos, mais ganhamos a possibilidade de nos resignarmos e dizermos BASTA contra aqueles que tentam calar-nos. Sempre acreditei e tentei viver neste ideal que me foi concedido por pessoas que tanto lutaram, e custa-me demais que haja ainda quem não se resigne e quem prefira viver sem a conquista dos próprios sonhos. Não pude aceitar, naquela tarde, que alguém sem a minha permissão me tentasse amputar a possibilidade de ser campeã nacional de juvenis femininos, quando eu própria ainda podia consegui-lo. Vi umas das pessoas que mais admirava, tirar das minhas mãos a hipótese de continuar. Tudo por arrogância e por presunção, e não pela inteligência que eu tanto admirava. Calar-me, depois de um 25 de Abril, significaria que concordar, significaria sentir o sabor salgado das lágrimas e nem poder olhar me e levantar a cabeça como quem não peca contra si próprio. No meio dum choro pegado, tentei não me resignar, tentei não dar tempo a quem quer que fosse de me tapar os olhos, tentei não me tapar os olhos, provavelmente doer-me-ia menos.
Passou um ano desde então, o mesmo se repete, mas desta vez e para que se não repita a choradeira, as jogadoras permitem que lhes tirem o suor da conquista em troca dum título que dizem ser delas. Como se nem uma única dor, se nem um pouco de cansaço derramaram para que tudo fosse possível? O que mais me espanta é a falta de humildade e de coragem para se assumirem, em vez disso submetem-se a permanecer caladas em troca de uma medalha e uma pose na fotografia de grupo. Quanto a mim continua a ser uma desvalorização dos caminhos.
Por mais que continue a chorar todas as noites, por mais que o desporto que tanto amo não faça sentido, ganhei. Ganhei-me. E fiz ganhar todos aqueles que lutaram para que hoje houvesse um 25 de Abril.

sábado, 26 de abril de 2008

"- Diz-me o que achas da saudade, sinceramente.
- Parece-me sempre péssima, nunca nos conseguimos entregar verdadeiramente à felecidade enquanto sentimos saudades..."

É tão fácil dizer aquilo que se pensa, mas sentir aquilo que se pensa e diz...