Presenciei hoje, e com muita pena minha, um espectáculo verdadeiramente deprimente de mesquinhez e egoísmo puro seguido de uma verdadeira lavagem de roupa suja em praça pública. Pessoalmente nunca me incomodaram os copianços, nunca me incomodou minimamente que houvesse quem fosse sobrevalorizado quando o mesmo não se verificava em relação a mim, desde que, eu própria não fosse subvalorizada. O meu valor é o meu valor, e acima de tudo, acredito ainda que não chegarei mais longe, nem me sentirei mais realizada com sobrevalorizações, mesmo que por vezes elas possam ser-me feitas. O facto é que se estudo é porque pretendo adquirir as competências que me são necessárias para o futuro com que sonho, sejam estas de que ordem forem, e não necessariamente decorar meia dúzia de inutilidades que não me servirão de nada.
O que se passou foi que, após um teste sem qualquer tipo de valor (havia a possibilidade de nem sequer contar para a nota final) e sentindo-se comichentos pelo azar de não poder copiar aquilo que desejavam, dois colegas meus decidiram, passar por cima da professora da disciplina em questão, e baseando-se em boatos absolutamente infundados, dirigiram-se à nossa directora de turma para fazer queixinhas, pela injustiça que tinham sofrido, já que segundo o que alguém lhes tinha dito, uma suposta colega copiara descaradamente e à frente da professora (colega que por acaso se esforçara imenso para poder tirar a positiva de que precisava para concluir a disciplina, e que o conseguira no teste anterior). O que verdadeiramente este meninos reclamavam é que se a nota dela fosse positiva então também eles deveriam ter uma classificação mais elevada.
A turma indignou-se com a atitude destes meninos, e quando estes chegaram a sala, seguiu-se uma autêntica lavagem de roupa suja (sim porque os tais eram na verdade os reis do copianço, e por acaso ate tinham copiado no dito teste). Acusações pelo ar, berros e amuos. E a pobre rapariga, foi obrigada, para que não houvesse mais confusão e para calar bocas alheias a fazer outro teste, isto é, atribui-se importância a uma atitude deprimente de pisar os próprios colegas para subir, e submete-se alguém que por acaso foi apontada no meio de tantos outros, ao constrangimento de mais 90 minutos de pressão.
A atitude daqueles miúdos, nem vou comentar, e muito menos a lavagem de roupa suja. Agora, o que verdadeiramente me incomoda é o conceito de justiça, ou seja lá o que for, que surge na cabecinha de tanta gente. Quando reclamamos a justiça exigindo um inflacionar de notas, perdemos nós próprios a noção da justiça defendemos, isto porque não se resolve uma injustiça com outra injustiça. Ou seja, se eu reclamo que uma nota é mais alta do que na verdade merece ser, não posso de modo algum exigir que também a minha seja mais alta do que eu mereço na realidade. Aquilo que se pretende é que as pessoas desejem é aquilo que de facto merecem, nem mais nem menos. Isto sim é justiça. E fazer algo que não isto é ridicularizar a justiça, e mais ridicularizar o nosso trabalho e nós mesmos.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Quando (já nada é intacto)
"Quando já nada é intacto
Quando tudo na vida vem em pedaços e por dentro me rebenta um mar
Quando a cidade alucina num lugar de néon e de neblina e me esqueço de sonhar
Quando há qualquer coisa que sufoca e os dias são iguais a outros dias, e por dentro o tempo é tão voraz
Quando de repente num segundo qualquer coisa me vira do avesso e desfaz do cada certeza do meu mundo
Quando o sopro de uma jura faz balançar os dias
Quando os sonhos contaminam os medos e os cansaços
Quando ainda me desarmam a tua companhia e tudo que a vida faz em mim
Quando o dia recomeça e a noite ainda te prende nos céus braços e por dentro te rebenta um mar
Quando a cidade te esconde e o silêncio é o fundo das palavras que te esqueces de gritar
Quando o sopro de uma jura faz balançar os dias
Quando os sonhos contaminam os medos e os cansaços
Quando ainda me desarmam a tua companhia e tudo o que a vida faz em mim"
Mafalda Veiga
Quando tudo na vida vem em pedaços e por dentro me rebenta um mar
Quando a cidade alucina num lugar de néon e de neblina e me esqueço de sonhar
Quando há qualquer coisa que sufoca e os dias são iguais a outros dias, e por dentro o tempo é tão voraz
Quando de repente num segundo qualquer coisa me vira do avesso e desfaz do cada certeza do meu mundo
Quando o sopro de uma jura faz balançar os dias
Quando os sonhos contaminam os medos e os cansaços
Quando ainda me desarmam a tua companhia e tudo que a vida faz em mim
Quando o dia recomeça e a noite ainda te prende nos céus braços e por dentro te rebenta um mar
Quando a cidade te esconde e o silêncio é o fundo das palavras que te esqueces de gritar
Quando o sopro de uma jura faz balançar os dias
Quando os sonhos contaminam os medos e os cansaços
Quando ainda me desarmam a tua companhia e tudo o que a vida faz em mim"
Mafalda Veiga
domingo, 27 de abril de 2008
25 de Abril, a possibilidade de dizer BASTA

No dia 25 de Abril de 1974, ganhamos nós, portugueses, a liberdade e a vontade honesta de querer ganhar e gritar dos nossos sonhos, mais ganhamos a possibilidade de nos resignarmos e dizermos BASTA contra aqueles que tentam calar-nos. Sempre acreditei e tentei viver neste ideal que me foi concedido por pessoas que tanto lutaram, e custa-me demais que haja ainda quem não se resigne e quem prefira viver sem a conquista dos próprios sonhos. Não pude aceitar, naquela tarde, que alguém sem a minha permissão me tentasse amputar a possibilidade de ser campeã nacional de juvenis femininos, quando eu própria ainda podia consegui-lo. Vi umas das pessoas que mais admirava, tirar das minhas mãos a hipótese de continuar. Tudo por arrogância e por presunção, e não pela inteligência que eu tanto admirava. Calar-me, depois de um 25 de Abril, significaria que concordar, significaria sentir o sabor salgado das lágrimas e nem poder olhar me e levantar a cabeça como quem não peca contra si próprio. No meio dum choro pegado, tentei não me resignar, tentei não dar tempo a quem quer que fosse de me tapar os olhos, tentei não me tapar os olhos, provavelmente doer-me-ia menos.
Passou um ano desde então, o mesmo se repete, mas desta vez e para que se não repita a choradeira, as jogadoras permitem que lhes tirem o suor da conquista em troca dum título que dizem ser delas. Como se nem uma única dor, se nem um pouco de cansaço derramaram para que tudo fosse possível? O que mais me espanta é a falta de humildade e de coragem para se assumirem, em vez disso submetem-se a permanecer caladas em troca de uma medalha e uma pose na fotografia de grupo. Quanto a mim continua a ser uma desvalorização dos caminhos.
Por mais que continue a chorar todas as noites, por mais que o desporto que tanto amo não faça sentido, ganhei. Ganhei-me. E fiz ganhar todos aqueles que lutaram para que hoje houvesse um 25 de Abril.
Passou um ano desde então, o mesmo se repete, mas desta vez e para que se não repita a choradeira, as jogadoras permitem que lhes tirem o suor da conquista em troca dum título que dizem ser delas. Como se nem uma única dor, se nem um pouco de cansaço derramaram para que tudo fosse possível? O que mais me espanta é a falta de humildade e de coragem para se assumirem, em vez disso submetem-se a permanecer caladas em troca de uma medalha e uma pose na fotografia de grupo. Quanto a mim continua a ser uma desvalorização dos caminhos.
Por mais que continue a chorar todas as noites, por mais que o desporto que tanto amo não faça sentido, ganhei. Ganhei-me. E fiz ganhar todos aqueles que lutaram para que hoje houvesse um 25 de Abril.
sábado, 26 de abril de 2008
domingo, 23 de março de 2008
Esta é a noite

O momento que ansiei durante tanto tempo consumou-se ontem, na Sé do Porto. Eu, e aqueles que caminharam a meu lado durante meses em direcção a cristo, fomos ontem ungidos pelo Espírito Santo, e tornamo-nos " um outro cristo", cristãos. Numa cerimónia belíssima, como nunca antes tinha visto, nascemos para um a vida nova. Ressuscitamos. Na calada da noite, por entre as vozes celestiais ganhámos asas esplêndidas. É indizivel o sentimento que me invadiu, que me preencheu, um momento que so se saboreia quando se prova, que so se percebe quando se experimenta. Magoa-me que apenas o silêncio possa descrever aquilo que vivemos, que sentimos, embora me console saber que muitos dos que amo o presenciaram. Mais do que presenciar, deram-me a mão, apertaram-na e ensinaram-me o desassombro. Agradeço-vos tanto. A ti Ana Luis, a ti Tiago. Agradeço ainda aqueles que com palavras doces me acalmaram o espírito, Tati, Zé Diogo, Chico e Chica, Professor Joaquim, Fernando. Aqueles que fizeram com que aquele momento fosse possivel, Professor José Rui, Padre Leonel, D. Manuel. Aos meus pais e à minha irmã que fizeram questão, apesar do frio da noite,de estar presentes na minha ressureição. Aqueles que me acolheram num abraço, e me receberam, ao João Ramos, à Rita, à Irmã Aurora, à Natalia, à Tita, à Pingas, ao Gonçalo Tiago. E ainda a todos aqueles que pensaram em mim, e rezaram por mim, e que me têm num cantinho muito especial do coração.
Mas agradeço principalmente aquela cujas nossas pegadas se unificaram, que me deu tudo. Que enlaçou a mão na minha, apertando-a com força, que me acalmou com palavras doces, que fez questãos que de se mostrar presente num só nesta noite mas e todo o meu caminho, que me acolheu num abraço e me recebeu, que rezou por mim, e pensou em mim e me tem num cantinho muito especial do coração, a ti Joana. Porque aceitas-te ser minha madrinha, e porque me iluminas porque me fazes acreditar que o mundo é movido por amor. Acreditas que ainda é possivel morrer de amar, tal como cristo morreu, e mais do que acreditar mostras-me. Orgulho-me demais de ti Joana, e quero muito estar presente na tua vida como tu estás na minha. Obrigado por me ensinares os sonhos.
domingo, 16 de março de 2008
Cristo comigo
Senti o teu abrigo. Fosse para onde fosse senti que te levaria comigo, numa terna lembrança dos momentos que me deste a ganhar e daqueles que choraste comigo e por mim. Levar-te-ia na esperança que constituis na minha vida, no desassombro que me ensinaste e me dá a coragem de viver com os olhos postos no céu, no amor profundo daqueles que caminham comigo. Apercebo-me agora que por muito que pareça estar na penumbra da noite escura, nada temerei porque habita em mim a toda a tua luz. E se o meu rumo mudar, se o passado se tornar futuro, olharei as tuas pegadas e seguirei um novo rumo, com a certeza que de não me abandonarás.
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