sexta-feira, 12 de junho de 2009

"Sacudamos o pó da sandálias, e sejamos capazes de partir."

professor joaquim

Tem de se poder partir
contudo ser como uma árvore:
como se a raiz permanecesse na terra,
como se a paisagem passasse e nós ficássemos.
Tem de se conter a respiração
até que o vento amaine
e o ar desconhecido nos comece a envolver,
até que o jogo de luz e sombra,
de verde e azul,
nos mostre as estruturas antigas
e estamos em casa
seja onde for,
e podemos sentar e apoiar-nos
como se fora à sepultura
da nossa Mãe.

Hilde Domin

sábado, 18 de abril de 2009

"Tudo o que sei do céu me vem do espanto que experimento perante a bondade inexplicável desta ou daquela pessoa, a luz de uma palavra ou de um gesto tão puros que me revelam bruscamente que nada no mundo poderia ser a sua origem. Há almas nas quais Deus existe sem que elas se apercebam. Nada deixa supor essa presença sobrenatural, senão a grande naturalidade que inspira aos gestos e palvaras daqueles em que habita."

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Diz o mestre aos seus Discípulos, diz o Cristo aos seus Cristãos: o que faz o Próximo não é a proximidade, o que faz o teu Próximo é a aproximação. Teu próximo é aquele de quem te aproximas, derrubando os muros do Ódio, vencendo os interesses opostos, tantas vezes a repugnância. O beijo do Leproso.

sábado, 7 de março de 2009

Atreve-te a viver por amor.


Desafiaram -me por estes de dias a viver por amor. E por estes dias o céu é para mim ainda mais azul.

sábado, 28 de fevereiro de 2009


Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões.
Ignoro se um pássaro morto continua o seu voo
Se se recorda dos movimentos migratórios
E das estações.
Mas não me importo de adoecer no teu colo
De dormir ao relento entre as tuas mãos.

Daniel Faria, Do inesgotável.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Existem enumeras formas de roubar o desassombro que ilumina algumas vidas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

"Na dor da selva não se pode aceitar um Deus qualquer. Na selva é preciso um Deus racional"


"En el dolor de la selva no puedes aceptar a cualquier Dios. El Dios ritual infantil no te basta. No te basta con pensar que Dios es amor o que no puedes explicarlo. En la selva necesitas un Dios racional.Si tu fe no es racional, si no estás seguro de que Dios existe, no puedes entablar una relación con Él.Entendí, leyendo la Biblia, que Dios no es energía, ni luz ni partículas de gas en el cosmos, sino que Dios es un ser humano, en otras palabras, que lo que nosotros tenemos de humanos es lo que tenemos de Dios.Todos los personajes de la Biblia están retratados con sus debilidades, sus miserias, sus pequeñeces. Todos estamos retratados ahí.Yo descubrí un Dios con sentido del humor, con sentido de la autoridad, un Dios que educa, un Dios que ama, pero sobre todo, que es un Dios en el sentido de que lo puede todo.Un robot puede estar programado para amar, pero si no tiene la libertad de no hacerlo, el amor no tiene valor."

Ingrid Betancourt

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O que é que nos faz pior o egocentrismo ou o altruísmo? E os que nos fazem mal, são capazes de pagar as dívidas que temos com quem nos fez bem? Se os que amamos nos rogam a uma decisão e a aceitamos estaremos a ser fracos ou simplesmente a ama-los mais ainda? Valem mais os compromissos ou a nossa verdadeira razão?
As perguntas crescem nos dias de decisão. Perguntas verdadeiramente falaciosas que me fazem seguir caminho e ter necessariamente de voltar atrás pela sua ausência. Alguma resposta terá de se fazer voar, assim espero.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Hoje é daqueles dias em que o pó da terra me calca os pés..

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Reconciliação


No tumulto dos anjos
abre-se no corpo o pavor sangrento.
Raízes afogadas pedem o esquecimento
como quem pede o amor.
Raios límpidos alagam a terra
abandonando a cinza desprendida,
E na reconciliação das vozes flamejantes
a noite terrível respirava o silêncio
nesse tempo em que Deus abraçava a água.

Curso de escrita criativa- exercicio de catching- Inês Fontoura

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sinto-me sempre flutuante com Sigur Rós

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008




Em nome dos que choram,
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
De amor e paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destrói
E devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!

José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Hoje foi um dia incrivel, senti que os meus maiores amigos estiveram presentes. Quer fisicamente, quer pela força da palavra. É indiscritivel a sensação de estar no fundo e ver os braços daqueles que amo ali, tão proximos. Não há nada no mundo que neste momento dê tantas graças como tê-los na minha vida.

Obrigada ( Juca, Sara, Pi, Rita e Esquerda)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008




"O Natal é o tempo em que ficamos grávidos de deus!"


Professor josé Rui Teixeira

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O medo que me corroi



AndCor do textoam a corroer-me os dias, a assombrar-me. Como se também o medo me carcomesse. Do mesmo modo dos caminhos mas sem a restituição da carne nova. Não faltará muito para que minha carne fique desnudada, sarando-se com a carne nova. Não faltará muito para um novo caminho. Sete meses, e três anos se completam. Vou partir para o deserto e anseio muito cultivar. Anseio muito envolver as mãos na terra seca. Anseio muito caminhar com um canto nos lábios e uma estrela na fronte, com cristo no rosto. Não, não é a aridez do deserto que me assombra. O medo que me carcome não pertence ao desconhecido, o medo que me carcome pertence à inevitável e futura ausencia daqueles que me eram intrínsecos. Não são as paredes, são os rostos, e os abraços, e as palavras.
Nestes três anos quase completos voei como nunca antes, o sabor das amoras, a alegria do mundo. Salvaram-me alguns abraços, e dei a salvação a muitos dos que me abraçaram. Nestes três anos aprendi a COMUNHÃO. É incomensurável tudo o que já me entregaram, as mãos que já me estenderam, as vezes que já me embalaram. E há pessoas que aprendi a serem minhas. Que amo tanto, que mesmo vivendo no desassombro, a inevitabilidade da sua perda me corroi. Me esgravata o corpo impetuosamente .
Por estes dias fecho os olhos e desejo fervosamente Sião. O lugar onde somarei todas as carnes carcomidas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Exilada


"Exiliada?
Exiliada sea aquella que algún día tuvo tierra.
No tú
que no tienes ni rastro de polvo en tu memória
aniquilada."

"Exilada?
Exilada seja aquela que algum dia teve terra.
Não tu
que não tens nem rasto de pó na tua memória
aniquilada."

Miriam Reyes em Terra e Sangue (tradução- Jorge Melícias)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ode

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis

domingo, 26 de outubro de 2008

Carpe diem


"I went to the wood because I wanted to live deliberately...
I wanted to live deep and to suck out all the marrow of life!
To put to rout all that was not life...
And not, when I came to die, discover that I had not lived."
Text Color

"Fui para os bosques porque queria viver deliberadamente.
Queria viver em profunidade e sugar todo o tutano da vida!
Para desbastar tudo o que não era vida
E para, quando vier a morrer, não descubra que não vivi."

Henry David Thoreaux (tradução: professor Joaquim Silva)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Fim de tarde com cristo


Por estes dias damos passos gigantes...


"Meus queridos: talvez tenha chegado a altura de partilhar um pouco mais, de nos envolvermos numa comunhão profunda. Pensamos que podíamos ultrapassar as portas do colégio, e a capela do colégio e os dias do colégio. Pensamos em rezarmos juntos num outro lugar. Largar a mão da rotina, perder o medo da distância das nossas paredes e voar. Por isso sugiro que rezemos juntos domingo às 5 da tarde no parque da cidade. Encontramo-nos no edifício transparente. Passa a palavra por favor. Abraço."



Em dias cinzentos como o de Domingo batemos sempre às portas do céu, as portas escancaradas, as únicas que sabemos verdadeiramente nossas. Em dias cinzentos como o de Domingo recordamos o primeiro abraço com Deus, o seu rosto que nos ecoa por dentro. Em dias cinzentos como o de Domingo partilhamos a alma, abandonamos os medos, esvaziamos os dias. Em dias cinzentos como o de Domingo comungamo-nos. Foi uma tarde com Cristo acolhidos pelo calor daquele primeiro abraço cujo cheiro ainda se sente no ar, talvez nunca desapareça, ou talvez se renove a cada passo. E há cada vez mais passos, e há cada vez mais caminho, e um dia já nem o pó da terra os denunciará, nossas asas esplêndidas estarão abertas tal como as portas do céu. É este o projecto de Cristo, um projecto de crescimento, feito de passos. E é absolutamente arrepiante saber-nos juntos, a cada fim de tarde com Cristo, acolhidos em sua casa, comungando-nos debaixo do seu olhar.